Criar um produto SaaS ficou mais rápido, mas isso não significa que o processo ficou mais seguro. Muitos produtos chegam a ser desenvolvidos, testados e até lançados, mas falham antes de ganhar tração no mercado. Na maioria dos casos, o problema não está na tecnologia, e sim na falta de planejamento estruturado antes da execução.
É comum que empresas utilizem o Business Model Canvas para visualizar modelos de negócio. Ele é uma ferramenta importante, mas não funciona tão bem quando aplicada diretamente a SaaS. Produtos SaaS têm desafios próprios, como recorrência, escalabilidade, aquisição e retenção de clientes, precificação e evolução contínua. Esses fatores exigem uma lógica de construção diferente da aplicada em negócios tradicionais.
Sem uma estrutura adequada, o risco é construir uma boa solução para um problema mal definido ou para um mercado que não sustenta o produto.
Cada campo responde a uma pergunta estratégica
No contexto de SaaS, não basta preencher campos de forma isolada. Cada bloco existe para responder a uma pergunta estratégica, e essas perguntas precisam ser respondidas na ordem correta.
Foi a partir dessa necessidade que a Devvo estruturou o Discovery Model Canvas para SaaS, um modelo baseado no Canvas tradicional, mas organizado para apoiar decisões antes da execução.
A principal diferença está no ponto de partida. O preenchimento começa pelo contexto, não pela solução.
A ordem de preenchimento reflete a lógica de um SaaS viável
Ter uma boa solução não é suficiente se não existe mercado, diferenciais claros ou canais definidos. A ordem de preenchimento do Canvas segue a lógica real de construção de um SaaS sustentável.
1. Parceiros-chave
O primeiro passo é entender de quem o SaaS depende para existir. Isso inclui fornecedores essenciais, tecnologias externas, integrações, plataformas e parceiros estratégicos. Esse campo ajuda a antecipar riscos, custos e dependências desde o início.
2. Principais concorrentes
Aqui o foco é identificar quem já resolve a mesma dor no mercado. Não apenas concorrentes diretos, mas também soluções alternativas e substitutas. Essa análise evita a criação de um produto desconectado da realidade do mercado.
3. Principais diferenciais
Depois de mapear o cenário competitivo, é necessário definir o que realmente diferencia o SaaS. Diferenciais não são apenas funcionalidades. São fatores que tornam o produto mais atrativo e difícil de substituir.
Esses três primeiros campos ajudam a entender o ambiente em que o SaaS vai existir. Eles mostram de quem o produto depende, contra quem ele compete e o que o diferencia de verdade.
Conectar problema, valor e oportunidade
Somente após compreender o contexto é que o Canvas avança para o valor entregue pelo produto.
4. Proposta de valor
Este campo define qual problema o SaaS resolve e por que isso importa para o cliente. A pergunta central aqui é simples. Qual benefício alguém estaria disposto a pagar para receber.
5. Tamanho de mercado
Uma boa proposta de valor só se sustenta se houver um mercado com potencial de adoção e crescimento. Esse campo dimensiona a oportunidade e ajuda a avaliar se o esforço de construção faz sentido.
Sem essa clareza, o produto pode até funcionar tecnicamente, mas dificilmente será sustentável.
Alinhar aquisição, uso e experiência desde o início
Outro erro comum em SaaS é tratar marketing, produto e vendas como etapas separadas.
6. Canais
Aqui se define como o cliente conhece, compra e utiliza o produto. Esse campo conecta aquisição, distribuição e experiência de uso.
7. Segmentos de clientes
Define para quem o SaaS foi criado. Quem tem a dor, quem decide a compra e quem utiliza o produto. Preencher esses campos corretamente evita decisões desconectadas entre as áreas envolvidas.
Transformar estratégia em execução consciente
Somente depois de todo o contexto definido é que o Canvas chega à execução.
8. MVP
O MVP representa a versão mínima do produto necessária para validar a proposta de valor e iniciar a monetização com o menor investimento possível. Aqui, o foco não é construir tudo, mas construir o essencial.
9. Fontes de receita
Por fim, define-se como o SaaS vai gerar receita. Planos recorrentes, cobrança por uso, add-ons ou outros modelos. Quando esse campo é preenchido por último, ele se conecta diretamente ao valor percebido e ao mercado definido anteriormente.
Quando esses campos são preenchidos sem contexto, o risco é construir rapidamente algo que não se sustenta.
Mais do que completar campos, é tomar decisões melhores
Preencher corretamente o Canvas de Modelo de Negócio SaaS transforma hipóteses em direção clara. O objetivo não é apenas completar um quadro, mas tomar decisões melhores antes de executar.
É assim que se evita investir tempo e recursos no produto errado.




