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O spin-off da Amazon que mudou o mercado e o que ele ensina sobre tecnologia como estratégia

O spin-off da Amazon foi mais do que a criação de uma nova empresa: foi a prova de que tecnologia pode (e deve) ser tratada como estratégia, não apenas como suporte. Ao transformar uma capacidade interna em produto, a Amazon redesenhou um mercado inteiro, definiu novos padrões de escala e eficiência e mostrou como plataformas bem construídas viram vantagem competitiva duradoura. A lição é clara: quando sua arquitetura, dados e operações são pensados para servir o negócio, você ganha velocidade de execução, reduz custos de decisão e cria espaço para inovação contínua. Este conteúdo explora o que realmente aconteceu, por que funcionou e como aplicar o mesmo princípio na sua empresa — com foco, governança e impacto real.

O spin-off da Amazon que mudou o mercado e o que ele ensina sobre tecnologia como estratégia

Nem toda grande empresa cria novos produtos olhando para fora. Em muitos casos, as oportunidades mais relevantes surgem de dentro da própria operação. Problemas internos, quando bem resolvidos, podem se transformar em soluções com potencial de mercado. Esse é o caminho dos spin-offs corporativos.

Um spin-off acontece quando uma empresa desenvolve internamente uma solução para resolver uma dor real do seu negócio e, ao perceber que aquela solução também atende outras organizações, decide estruturá-la como um produto ou operação com autonomia própria.

Diferente de uma área interna ou de uma simples divisão de negócios, o spin-off ganha foco, escala e posicionamento próprios no mercado.

O exemplo mais emblemático desse movimento é a Amazon Web Services (AWS).

No início dos anos 2000, a Amazon enfrentava um desafio crítico: sustentar o crescimento acelerado do seu e-commerce exigia uma infraestrutura tecnológica robusta, confiável e escalável. As soluções disponíveis no mercado não atendiam às necessidades da empresa. A resposta foi construir internamente sua própria infraestrutura.

O que começou como uma solução para uso interno revelou um potencial muito maior. A Amazon percebeu que aquela mesma infraestrutura poderia resolver o mesmo problema de milhares de outras empresas. A solução deixou de ser apenas operacional e passou a ser um produto.

Em 2006, a Amazon lançou oficialmente a AWS no mercado.

Hoje, os números mostram a dimensão desse movimento. Segundo dados de mercado amplamente divulgados por veículos como Bloomberg, CNN Business e CRN, a AWS registrou cerca de US$ 33 bilhões em receita trimestral em 2025, com crescimento anual em torno de 20%. Embora represente aproximadamente 15% do faturamento total da Amazon, a AWS responde por cerca de 60% do lucro operacional da companhia, evidenciando sua alta rentabilidade.

Em termos de mercado, a AWS mantém a liderança global em serviços de infraestrutura em nuvem, com aproximadamente 29% a 32% de participação de mercado, à frente de concorrentes como Microsoft Azure e Google Cloud. Esse posicionamento reforça como uma solução criada para resolver um problema interno se transformou em um dos negócios mais estratégicos e lucrativos do grupo Amazon.

Para contextualizar, a própria Amazon alcançou uma receita trimestral de aproximadamente US$ 167,7 bilhões em 2025, empregando mais de 1,5 milhão de pessoas globalmente. Dentro desse ecossistema gigante, a AWS se consolidou como um pilar central de geração de valor.

O caso da AWS não é isolado. Empresas como Expedia, que nasceu como um projeto interno da Microsoft, Agilent Technologies, desmembrada da Hewlett-Packard, e PayPal, que se separou do eBay, seguiram trajetórias semelhantes.

Em todos esses casos, a lógica foi a mesma: dar autonomia a uma solução que precisava de foco próprio para crescer.

O que esses exemplos deixam claro é que spin-offs não nascem de ideias abstratas. Eles surgem de problemas reais já enfrentados em ambientes complexos, com escala, pressão operacional e exigência de resultado. A solução já nasce validada na prática antes mesmo de chegar ao mercado.

Para as empresas, criar um spin-off é uma decisão estratégica. Permite explorar novos mercados sem comprometer o negócio principal, transforma eficiência operacional em produto e cria novas fontes de receita a partir de ativos que já existem internamente, como processos, conhecimento e tecnologia.

O spin-off da AWS mostra que tecnologia não é apenas um custo ou um suporte operacional. Quando bem estruturada, ela pode se tornar o próprio negócio.

Para organizações que lidam com operações complexas, dados e processos críticos, a pergunta estratégica passa a ser menos sobre criar algo totalmente novo e mais sobre olhar para dentro: quais soluções internas já resolvem problemas reais e poderiam ganhar escala no mercado?

Sobre esse texto

Tecnologia

02/02/2026

Samuel Figueiredo
Samuel Figueiredo

Parcerias & Negócios

Atualizado em

02/02/2026

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