O vibecoding vem ganhando espaço no mercado de tecnologia como uma nova forma de criar software. A lógica é simples: em vez de escrever cada linha de código manualmente, a pessoa descreve em linguagem natural o que deseja construir e a ferramenta gera a aplicação automaticamente. Esse modelo surge a partir dos avanços em geração de código assistida por sistemas inteligentes e tem sido apontado como um caminho para reduzir barreiras técnicas no desenvolvimento de produtos digitais.
Na prática, o vibecoding permite que pessoas sem formação técnica aprofundada criem softwares ou protótipos a partir de instruções de alto nível. A intenção criativa passa a ocupar o centro do processo, enquanto a tecnologia se encarrega da execução. Esse movimento acelerou a prototipagem e a experimentação, reduzindo o tempo entre a ideia e a primeira versão funcional de um produto. Empresas como a Lovable ajudaram a popularizar esse conceito ao defender que a criação de software pode se tornar mais acessível e rápida. Em pouco tempo, surgiram exemplos de aplicações desenvolvidas em horas, SaaS criados em poucos minutos e projetos colocados no ar com uma velocidade que até pouco tempo atrás parecia improvável. Para fases iniciais de teste e validação de conceitos, esse modelo cumpre bem seu papel.
No entanto, à medida que o mercado amadurece, fica claro que velocidade não é sinônimo de qualidade, sustentabilidade ou sucesso. Criar rapidamente não significa criar algo preparado para resolver um problema real, evoluir com segurança ou operar em escala. Muitos produtos digitais falham não por limitações técnicas imediatas, mas por falta de entendimento do contexto, do usuário e do mercado em que estão inseridos. É nesse ponto que entra o Discovery, ou Descoberta. Essa etapa é voltada à análise, imersão e estruturação de ideias e operações. Ela ajuda empresas que têm uma ideia de produto digital, uma dor ou uma oportunidade, mas ainda não sabem por onde começar. No Discovery, a empresa:
Entende o problema e o contexto → Mapeia o usuário e suas necessidades → Define requisitos e fluxos → Cria um protótipo navegável validado → Entrega um roadmap claro do produto → Aponta investimentos, riscos e prioridades
Durante esse processo, ferramentas tecnológicas podem apoiar diversas atividades, como gerar hipóteses iniciais, criar versões rápidas de telas, traduzir requisitos em rascunhos ou sugerir fluxos de navegação. Esse apoio contribui para ganhar velocidade e explorar alternativas com mais agilidade. Mas existe uma parte do Discovery que não pode ser automatizada: a análise crítica.
Interpretar nuances do mercado → Entender dores reais de usuários → Avaliar viabilidade de negócio → Definir prioridades → Escolher caminhos tecnológicos → Planejar estrutura para escalar. Esses pontos exigem experiência, leitura de contexto e responsabilidade sobre decisões que vão sustentar o produto no longo prazo. São escolhas que impactam custos, escalabilidade, segurança e a capacidade de evolução do produto. A tecnologia acelera a execução, mas não substitui o julgamento estratégico nem assume as consequências das decisões tomadas. Na prática, o vibecoding torna o processo de construção mais rápido. O Discovery responde ao que deve ser construído e por que deve ser construído. É essa combinação entre velocidade e entendimento profundo que aumenta as chances de um produto nascer com mais segurança, propósito e consistência. Em um cenário onde criar software ficou mais acessível, pensar antes de construir se tornou um diferencial competitivo real. Para a Devvo, o Discovery não é uma etapa opcional, mas a base que sustenta produtos digitais mais bem direcionados, eficientes e preparados para o futuro.




