Antes da plataforma, cada secretaria tinha a sua própria versão do município. Parte dos dados ficava em planilhas, parte em arquivos CAD antigos, parte em bancos de dados de cada departamento. Quando duas áreas olhavam para o mesmo terreno, nem sempre viam a mesma coisa.
Com a Solo Topografia, construímos uma plataforma que junta essa informação numa fonte única e a coloca num mapa que qualquer equipe da prefeitura consegue usar.
O problema: dados isolados e decisões atrasadas
A informação separada gerava dois problemas.
O primeiro era o conflito. O Planejamento trabalhava com um dado, a Fazenda com outro, e ninguém sabia com certeza qual estava certo.
O segundo era o atraso. Sem saber qual versão era a mais recente, muitas decisões acabavam tomadas em cima de informação defasada.
O mapa, nesse cenário, servia para mostrar e pouco servia para trabalhar. Era um desenho estático, uma fotografia de um momento que envelhecia assim que era impressa.
O que construímos
A plataforma da Solo Topografia cria um gêmeo digital do município. O território aparece no mapa com as camadas de informação de cada área, e essas camadas podem ser consultadas, cruzadas, editadas e processadas em tempo real.
Ela tem três partes que trabalham juntas:
- A interface, construída com Mapstore, React e Redux.
- O GeoServer, que guarda e serve toda a informação geoespacial do município.
- Os serviços padrão de mapa WMS, WFS e WPS, que dão ao mapa as funções de visualizar, editar e analisar.
Como funciona
Uma interface para quem toma a decisão
A primeira decisão do projeto foi sobre quem usaria a ferramenta. Geoprocessamento costuma ficar restrito a poucas pessoas treinadas. Aqui, equipes de várias áreas precisavam tirar informação do mapa, de planejadores urbanos a fiscais de obras, sem ter diploma na área.
Por isso a interface foi construída com Mapstore, React e Redux, com foco em deixar o uso direto. A tecnologia cumpre um papel claro: tirar a barreira técnica do caminho e deixar a análise nas mãos de quem decide.
O GeoServer como fonte única
No centro da plataforma está o GeoServer. Ele reúne toda a informação geoespacial do município e passa a ser a referência de todas as secretarias. Do Planejamento à Fazenda, todo mundo consulta a mesma base.
Isso garante integridade e consistência aos dados. O servidor também controla o acesso de forma granular, então cada perfil vê e altera apenas o que lhe cabe.
WMS: camadas sobrepostas no mesmo mapa
O WMS (Web Map Service) permite sobrepor várias camadas de informação no mesmo mapa. Com isso, a análise visual junta dados de áreas diferentes numa única tela, e a equipe enxerga as relações entre eles sem precisar abrir sistemas separados.
WFS: o mapa como via de mão dupla
Com o WFS (Web Feature Service), o mapa deixa de ser só leitura. A equipe edita e atualiza os dados direto na interface.
Um exemplo ajuda a ver o efeito. Um fiscal precisa corrigir o cadastro de um imóvel para o cálculo do IPTU. Ele altera a área do lote no mapa. Por trás, o sistema pode recalcular o imposto e atualizar o sistema tributário. A informação sai da ação em campo e chega à atualização administrativa no mesmo fluxo, sem atrito entre setores.
WPS: análises complexas sob demanda
O WPS (Web Processing Service) é a parte analítica da plataforma. Ele automatiza análises geoespaciais complexas que antes levavam dias e exigiam um especialista.
Com alguns cliques, um gestor da Defesa Civil pode rodar um modelo que simula o impacto de uma enchente. O resultado mostra os imóveis afetados, a infraestrutura crítica e a população vulnerável na área. Com essa resposta em mãos, a Defesa Civil planeja antes do problema acontecer, e o dado bruto vira previsão e estratégia.
O que mudou para a gestão
Planejamento Urbano, Fazenda, Defesa Civil e Meio Ambiente passam a trabalhar sobre a mesma base. Na prática, a mudança aparece em três pontos.
- Uma versão só do município. As secretarias deixam de discutir qual dado vale e trabalham sobre a mesma informação.
- Mais gente usando o dado. Equipes sem formação em geoprocessamento consultam, cruzam e editam informação no mapa.
- Planejamento com antecedência. Com análises que antes levavam dias disponíveis em poucos cliques, a gestão deixa de só reagir aos problemas e planeja crescimento urbano, infraestrutura e segurança pública com base em evidência.
O mapa virou ferramenta de trabalho. Com a base unificada, a interface acessível e o motor de análise, a plataforma passou a ocupar um lugar central na governança do município, apoiando decisões mais eficientes e mais transparentes para quem vive na cidade.



